Identidade Visual para Programa Governamental.


A identidade visual "Casa Brasil", propiciou objetivar num projeto concreto as noções de desenho e de cidadania, e as relações que julgamos necessárias entre esses termos. Em suma, o projeto ilustra a necessidade de atribuir ao desenho a dimensão de instrumento emancipatório; e de que projeto esteticamente qualificado é uma das condições necessárias para concretizar essa prerrogativa.

Programaticamente, a Casa Brasil compreende: tele centro comunitário, ponto para produção multimídia, rádio comunitária, banco popular, banco postal e núcleos de informação tecnológica com laboratórios de ciência e tecnologia. Esses núcleos de trabalho permitem que os cidadãos possam realizar projetos comunitários, culturais, pro?ssionalizantes e educacionais.
Os centros serão implantados em ambientes considerados de baixo índice de desenvolvimento humano, e em edificações existentes das mais variadas tipologias.

Tais fatores constituem determinantes do projeto - suas origens - em relação aos quais contrapomos nossas determinações - as intenções - consubstanciadas no partido adotado. De um lado as decisões interessadas, coagidas por fatores necessários ou contingentes, de outro as desinteressadas, livres de coações e que vão qualificar esteticamente o projeto.

O caráter sistêmico do projeto se distingue pela comodulação. O módulo adotado permite variação de forma, posicionamento e cor. Um dos fundamentos é o de constituir um sistema aberto que faculte liberdade de arranjo e preserve, simultaneamente, a unidade na diversidade. As possibilidades de combinação resultantes facultam a co-participação do cidadão na construção do espaço e no arranjo dos módulos. Ao incluir a comunidade no processo de decisões aponta para a possibilidade de co-participação do cidadão na construção do espaço e no arranjo dos módulos. A co-autoria favorece o despertar da consciência de cidadania e o sentimento de pertencer a uma comunidade - de identificar-se.

 

A racionalidade, implícita ao sistema, faculta sua decodificação pelas prerrogativas sensíveis e intelectivas do sujeito e, como corolário, promove a relação de familiaridade do sujeito com o objeto, esse não é estranho porque permite o seu entendimento. É a via pela qual o sujeito interage com o ambiente como algo que lhe é próprio (porque compreensível) - apropriado ao ser humano, e humano porque age sobre a realidade transformando-a e neste processo de transformação, se transforma a si mesmo. Tal práxis irá despertar a consciência de cidadania - consciência de si e consciência dos outros. A identidade é engendrada seja por tradição - proximidade (consciência táctil), seja por intelecção, pela racionalidade ou distanciamento (consciência ótica). Nosso projeto se fundamenta na condição de possibilidade de conciliar ambas as dimensões.

A logomarca originalmente por nós proposta explorava a figura do pixel aludindo à inclusão digital e não foi adotada.