residência em brasília - 1980

Uma condicionante inicial compareceu como fator determinante do projeto: não ultrapassar 60 m2; por dois motivos: reduzir custos e se enquadrar na categoria de "habitação popular" - por razões pragmáticas e não ideológicas, pois assim nos defrontaríamos com menos restrições do código de obras.
Resignamo-nos, a contra gosto, em aceitar a área reduzida, mas não com a indignante determinação de definir "habitação popular" com espaços exíguos.

Motivou o projeto a intenção de expressar, pela dignidade da idéia de "habitar", a de "ser". Lembramo-nos de Artigas: "Na língua alemã, o verbo construir, nas suas formas lingüísticas mais antigas, exprimia também habitar e ser. O anglo-saxão primitivo era porque habitava sua construção" 1.

Reunimos duas escalas não excludentes: a coloquial, expressão das particularidades individuais e subjetivas próprias da vida cotidiana, e a monumental - objetivadora da dimensão social. Abrigo e templo podem e devem ser compatíveis, não importa o tamanho - o santuário de Galla Placídia que o diga.

Simetria, modulação, ornamento, ordenamento geométrico visaram, ao conferir autonomia de cada uma das partes e do conjunto, garantir a monumentalidade desejada.

Por outro lado e com vistas à praticidade, suprimimos todo espaço destinado exclusivamente à circulação, maximizando assim os espaços úteis nos limites da área prefixada.

A presença do pátio, além de permitir ventilação cruzada e transparência, ampliou o espaço visual - dentro, visadas em profundidade; fora: o volume (decorrente do aumento do perímetro).
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1.Artigas, J.B.V., "Arquitetura e Construção"in Caminhos da arquitetura, São Paulo, LECH, 1981, p 101

Ficha técnica:
Residência do arquiteto
Calculista: Ernesto Guilherme Walter
Local: Brasília - DF
Área do terreno: 5.000 m2
Área construída: 60 m2