residência
em brasília - 1975
Conciliar a escala pública e a particular
Todo projeto de arquitetura se defronta com uma dupla implicação:
o compromisso com a cidade, e, simultaneamente, com os usuários à
quem se destina; estabelece invarialvelmente uma interface entre a dimensão
pública e a particular.
A intenção de conciliar estes dois pólos (e interesses
nem sempre coincidentes), norteou a residência projetada em Brasília
em 1975.
O projeto configura simultaneamente duas escalas: a pública - mais solene - configura a rua, e a coloquial, de natureza íntima, voltada para o jardim, que traduz as vicissitudes do programa: pavimentos, janelas e varandas.
A simetria, o acesso recuado da casa assinalado pelo arco, e as dimensões amplificadas das alvenarias qualificam a escala pública. Para preservar tal intenção o projeto evitou que a fachada da rua denunciasse as particularidades próprias ao programa de necessidades ambientais: o acesso à garagem foi deslocado para um dos recuos laterais para não comprometer a integridade da volumetria; eliminou-se igualmente aberturas que exigiriam proteções, cercas, muros e barreiras divorciando, em consequência, o âmbito público do privado. Assim sendo a casa revela a dupla dimensão de seu proprietário: enquanto morador (ente individual) e enquanto cidadão (ente coletivo).
A aparência
de "casa de alvenaria de tijolo aparente", traduz, efetivamente,
o sistema construtivo adotado, pois ao tijolo atribuiu-se a dupla tarefa de
vedar e suportar as cargas estruturais. A laje de concreto repousa na alvenaria
que, quando necessária, serve de forma para os pilares de concreto.
O tijolo escolhido pela sua modulação, onde cada dimensão
maior é o dobro da menor mais um centímetro (correspondendo
à junta), permitiu arremate em todas as aberturas evitando-se assim
tijolo quebrado, garantindo a coerência e integridade construtiva e
arquitetônica.
Ficha
técnica:
Localização: SHIS QL 10, Área 450 m2 . -
Execução da obra: engenheiro Otávio R. Costa - 1974/1975


