auditório para campus da universidade de brasília – 1979

em co-autoria com Eng.Arq. Ernesto F. Walter
Colaboradores: Eng.Arq. Marc Mimram
Arq. Silvano Silva Pereira

O prédio do auditório propriamente dito deve ser lido a começar da grande "estrutura-portante", que cobre todo o edifício. Leia-se a seguir o que diz a "cúpula", sustentada pela grande estrutura-portante; a cúpula sustenta por sua vez, por intermédios das "estrelas", as "placas-hexágonos irregulares", sobre as quais estão apoiadas as "placas termoacústicas", cujas placas termoacústicas respondem, em última instância, pela eficácia do auditório como auditório.
Esta flagrante hierarquia funcional da estrutura do prédio é traduzida por uma hierarquia de vãos, que estão distribuídos segundo a sequência seguinte:
vão das placas termoacústicas: 2,60 m;
vão das placas-hexágonos irregulares:
5,20 m;
vão entre estrelas: 10,40 m;
vão da cúpula: 42,00 m;
vão da estrutura-portante: 48,00 m.

Essa primeira ordem de leitura do projeto da estrutura, do geral para o particular, não completa todavia o seu entendimento. Há mister de inverter esta ordem, lendo agora o projeto do particular para o geral.
A montagem das placas termoacústicas resultou das três funções básicas que devem cumprir, quais sejam as funções de proteger o auditório não só das intepéries, mas ainda térmica e acusticamente. Isto foi conseguido, seguindo orientação do consultor Igor Sresnewsky, pela justaposição em camada de materiais impermeáveis, térmicos e acústicos (ver detalhe das placas termoacústicas). Esta sucessão de materiais especializados garantirá que barulhos de chuva, da passagem de aviões e outros ruídos que tais, sejam devidamente filtrados, em níveis compatíveis com o bom funcionamento do auditório.

A forma de um tetraedro que foi dada às placas termoacústicas não foi gratuita. Ela responde a uma das condições de boa acústica interna do auditório. Dissemos "uma das condições" porque outras mais são exigidas, o que será descrito mais adiante. A forma tetraédrica tem ainda uma consequência interessante: ela torna fácil que as peças sejam autoportantes, permitindo que o tratamento da estrutura espacial que a sustenta - as placas hexágonos irregulares (ver detalhe das placas hexágono irregular) - trabalhe realmente de conformidade com as hipóteses de cálculo, vale dizer, treliças espaciais carregadas pelos nós.
Essas placas-hexágonos irregulares sustentam, cada uma delas, 13 placas termoacústicas. Elas estão propostas em perfis de chapas dobradas, que resultam num peso da ordem de 15 kg/m2. Para que fiquem bem salientes à vista de quem as olha, quando sentado no auditório, as junta que as separam entre si, bem como as juntas que as separam das estrelas, foram desenhadas mais largas (10 cm), o que acabou por permitir que sejam também usadas, essas juntas, como condutores das diversas instalações elétricas.




As "estrelas", (ver detalhe das estrelas), com vãos em duplo-balanço somando 5,20 metros (ver detalhe das estrelas), constituem-se nos elementos de transição entre as placas-hexágonos irregulares e a grande estrutura-portante.

Completam a cúpula, que é sustentada pela grande estrutura-portante pelos pendurais correspondentes aos eixos centrais das estrelas (ver detalhe das estrelas). Sua configuração espacial é muito rica plasticamente e será bem visível, pois, como já frisamos, estão destacadas das placas-hexágonos irregulares que sustentam por uma junta mais larga.

A grande estrutura-portante permaneceu basicamente como foi originalmente pensada, isto é, uma grande estrutura hexagonal deformada topologicamente. O que julgamos oportuno destacar, como aliás já havíamos frisado no estudo preliminar, é o desenho dos aparelhos-de-apoio (ver elevação das flanges) correspondentes aos três pontos de apoio da estrutura-portante. Este desenho foi surgindo muito espontaneamente, a partir da função e obrigação estrutural do aparelho de apoio. A análise estática da estrutura mostra a necessidade de impedir sua rotação nos pontos de apoio. Isto foi conseguido projetando naturalmente, em cada aparelho de apoio, duas placas metálicas transversais e perpendiculares aos tubos que neles convergem (ver elevação das flanges). Estes tubos estão entre si ligados por flanges.